Uma questão de autoridade

Rev. Tony Cooke

Algo que os crentes precisam considerar seriamente hoje em dia é a questão da autoridade, e mais especificamente, a autoridade de Deus. Uma pergunta fundamental que todo ser humano deve responder diz respeito a submeter ou não sua vida ao governo e ao reinado de Deus. Às vezes, parece que os crentes se mostram chocados quando o mundo não respeita os padrões ou os mandamentos de Deus, mas isso deveria realmente ser uma surpresa?

Romanos 8:7 (Amplified Bible) diz, “…a mente da carne [com seus pensamentos carnais e propósitos] é hostil a Deus, pois não se submete à lei de Deus; de fato, não pode obedecê-la”. Em Colossenses 1:21 KJA, Paulo diz que, antes da reconciliação com Deus, “éreis estranhos e inimigos de Deus conforme demonstrado pelas obras más que praticáveis”.

A determinação de alguns em rejeitar a autoridade de Deus é muito evidente. Davi escreveu em Salmos 2:2-3 KJA: “Os reis da terra preparam seus ardis e, unidos, os governantes conspiram contra o Senhor e contra o seu Cristo, proclamando: ‘Façamos em pedaços os seus laços, sacudamos para longe de nós seus vínculos!’”. No versículo 3, a tradução NVT diz, “‘Vamos quebrar essas correntes’, eles dizem. ‘Vamos nos libertar da escravidao!’”.

Não é surpreendente como as pessoas podem ser tão enganadas a ponto de pensarem que se submeter à vontade de Deus e se render à Sua influência equivale à escravidão? Quão enganadas são ao pensarem que o domínio de Satanás e do pecado seria de alguma forma mais gratificante e benéfico do que ter um relacionamento transformador e libertador com o Deus do Universo.

Jesus descreveu aqueles que rejeitaram a autoridade de Deus em uma parábola que contou em Lucas 19:12-14 (NVI). Jesus disse: “Um homem de nobre nascimento foi para uma terra distante para ser coroado rei e depois voltar. Então, chamou dez dos seus servos e lhes deu dez minas. Disse ele: ‘Façam esse dinheiro render até à minha volta’. Mas os seus súditos o odiavam e depois enviaram uma delegação para lhe dizer: ‘Não queremos que este homem seja nosso rei’”.

Jesus estava ilustrando algo que aconteceu diversas vezes (e continua acontecendo) ao longo da história da humanidade: pessoas rejeitando a autoridade divina. Da mesma forma, o apóstolo Pedro se referiu a pessoas “insolentes e arrogantes” que “desprezam a autoridade” (2 Pedro 2:10).

No tempo dos juízes, lemos sobre um homem chamado Mica (diferente do profeta do Antigo Testamento) que, “…tinha um santuário, uma casa de deuses, e fez um colete sacerdotal e alguns ídolos da família; e consagrou um dos seus filhos como sacerdote. Naquela época, não havia rei em Israel; cada pessoa fazia o que lhe parecia certo” (Juízes 17:5-6, KJA). De alguma forma, acho que Mica se adaptaria muito bem à sociedade moderna.

Quantas pessoas hoje querem criar um “deus” à sua própria imagem, ao seu gosto e nos seus próprios termos? Quantas querem um deus que aprove todas as suas preferências e que nunca as chame ao arrependimento ou repreenda seus pecados? A versão A Mensagem de Juízes 17:6 diz que, naquela época, não havia rei em Israel. “As pessoas faziam o que bem entendiam”.

Provérbios nos dá uma ideia do que acontece quando as pessoas rejeitam a autoridade divina:

“O insensato ridiculariza a diferença entre o certo e o errado, mas o justo tem vontade de fazer o bem” (14:9, A Mensagem).

“Há caminhos que ao ser humano parecem ser as melhores opções de vida, mas ao final conduzem à morte (14:12 KJA).

“Um país sem a orientação de Deus é um país sem ordem. Quem guarda a lei de Deus é feliz” (28:19, NTLH).

Entendemos que uma pessoa não regenerada não se submeterá à vontade e aos mandamentos de Deus, mas e quanto aos crentes? O que acontece quando pessoas que se consideram cristãs ainda acham que podem criar as próprias regras, estabelecer seus próprios padrões e permitir que seus caprichos e sentimentos governem suas vidas? É imprescindível que os crentes entendam que vir a Jesus não é simplesmente uma questão de receber a salvação, mas Deus deseja que nos rendamos ao senhorio de Jesus também.

Existem pessoas que afirmam ter recebido Jesus (perdão, salvação, etc.), mas nunca se submeteram verdadeiramente ao senhorio de Cristo? Considere a sensível advertência de Paulo à igreja em Filipos: “Já disse isto muitas vezes e agora repito, chorando: existem muitos que, pela sua maneira de viver, se tornam inimigos da mensagem da morte de Cristo na cruz. Eles vão para a destruição no inferno porque o deus deles são os desejos do corpo. Eles têm orgulho daquilo que devia ser uma vergonha para eles e pensam somente nas coisas que são deste mundo” (Filipenses 3:18-19, NTLH).

Tiago foi ainda mais severo em sua advertência: “Vocês estão tentando passar a perna em Deus. Se tudo que querem é benefício próprio e enganar os outros, acabarão inimigos de Deus. E acham que Deus não liga? Pois ele mesmo diz: ‘Tenho muito ciúme de quem amo’” (Tiago 4:4-5, A Mensagem).

Um cristianismo que afirma que você pode receber Jesus como Salvador e rejeitá-Lo como Senhor é alheio ao Novo Testamento. O próprio Jesus disse: “E por que me chamais: ‘Senhor, Senhor’, e não praticais o que Eu vos ensino?” (Lucas 6:46, KJA). Concordo com Abraham Kuyper, que disse: “Não há um centímetro sequer de qualquer esfera da vida sobre a qual Jesus Cristo não diga: ‘Meu’”.

Então, em quais áreas da minha vida tenho o direito de criar minhas próprias regras e ignorar a influência de Deus? Em quais aspectos da minha vida posso tomar as decisões e ignorar o que Deus tem a dizer? Posso aceitar Jesus como meu Salvador, mas depois dizer a Ele que não quero Sua influência ou governo em minhas finanças? Em minha moralidade? Em minha ética? Em minha conduta? Em como trato os outros?

Faríamos bem em ouvir alguns dos ensinamentos e percepções transmitidos por líderes cristãos do passado:

“Deus não aceita um coração dividido. Ele precisa ser o monarca absoluto. Não há espaço em seu coração para dois tronos. Você não pode misturar a adoração ao Deus verdadeiro com a adoração a qualquer outro deus, assim como não pode misturar óleo e água. É impossível. Não há espaço para nenhum outro trono no coração se Cristo estiver lá. Se a mundanidade entrar, a piedade sairá.”
– D.L. Moody

“É hora de buscarmos novamente a liderança do Espírito Santo. O senhorio do homem nos custou muito caro…”
— A.W. Tozer

“O cristianismo não é uma fila de refeitório onde você diz: ‘Quero um pouco de salvação, mas sem senhorio agora.’”
— Adrian Rogers

“Até que a vontade e as emoções estejam submetidos à autoridade de Cristo, não começamos a compreender, muito menos a aceitar, o Seu senhorio.”
— Elisabeth Elliot

“O senhorio de Jesus Cristo não foi completamente esquecido entre os cristãos, mas foi relegado ao hinário, onde toda a responsabilidade pode ser confortavelmente cumprida em uma roupagem de emoção religiosa. Ou, se é ensinado como teoria em sala de aula, raramente é aplicado à vida prática. A ideia de que o Homem Cristo Jesus tem autoridade final e absoluta sobre toda a igreja e sobre seus membros em cada detalhe de suas vidas simplesmente não é mais aceita como verdadeira pela maioria dos cristãos evangélicos.”
— A.W. Tozer

“A marca de um santo não é a perfeição, mas a consagração. Um santo não é um homem sem falhas, mas um homem que se entregou sem reservas a Deus.”
– W.T. Richardson

“Jesus Cristo nos comprou com o Seu sangue, mas, infelizmente, Ele não tem recebido o suficiente! Ele pagou por TUDO e tem recebido apenas uma fração da nossa energia, tempo e recursos. Por meio de um ato de consagração, peçamos a Ele que perdoe o roubo do passado

e professemos o nosso desejo de, daqui em diante, sermos inteiramente e somente para Ele – Seus servos, sem outro mestre além dEle.”
– F.B. Meyer

Tendo dito tudo isso, devemos nos lembrar de que Deus nos conduz, por meio do amor, a aceitar o Seu reinado e o Seu senhorio em nossas vidas. Ele não nos ataca com força; Ele nos chama por meio do Seu amor. Um jovem cristão pode consagrar completamente a sua vida ao Senhor, mas essa consagração provavelmente será revisitada inúmeras vezes ao longo de sua jornada espiritual. Sua entrega ao senhorio de Cristo em diversas áreas será percebida de forma mais profunda e reforçada mais completamente à medida que cresce e amadurece.

A consagração e a entrega ao senhorio de Cristo devem ser algo que os crentes se lembrem periodicamente, e devendo fazer talvez uma autoavaliação periódica a respeito. Gosto da maneira como o apóstolo João termina sua primeira epístola: “Filhinhos, guardem-se dos ídolos – [falsos ensinamentos, comprometimentos morais e tudo que possa tomar o lugar de Deus no seu coração]” (1 João 5:21, Amplified Bible).

Isaac Watts escreveu um famoso hino em 1707, intitulado “Quando Contemplo a Cruz Maravilhosa”. Ele concluiu a canção com as palavras: “Amor tão incrível, tão divino, exige minha alma, minha vida, meu tudo”. Watts percebeu aquilo para o qual todo cristão deveria despertar: Deus quer que o amemos com toda a nossa vida e com todo o nosso coração, e Ele deseja que entreguemos a Ele cada aspecto do nosso ser.

Até mesmo o Pai Nosso, que eu rezei ritualisticamente por anos, contém um pedido para que o senhorio de Cristo se manifeste. “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). Eu orei isso por anos sem realmente perceber o que estava dizendo. Quando eu dizia “Venha o teu reino”, eu estava, na verdade, pedindo que o reinado, o governo e o domínio de Cristo fossem estabelecidos e concretizados, e onde isso começa? Deve começar no coração daquele que está orando. Como disse Tommy Tenney: “Não podemos orar sinceramente: ‘Venha o teu reino’, até que tenhamos orado legitimamente: ‘Vá o meu reino’”.

Que Deus nos ajude a compreender a plenitude do Seu plano para as nossas vidas e que encontremos a nossa maior realização em confiar plenamente em Deus, consagrando, rendendo e entregando totalmente as nossas vidas a Ele.

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